Secção Lunar da REA-Brasil

Rubens de Azevedo

Patrono da Secção Lunar - REA-BRASIL (20/02/2005)

Com mais de 50 anos de sua vida dedicados ao ensino da astronomia, o Professor Rubens de Azevedo é autor de vários livros, dentre os quais se destacam "Lua Degrau para o Infinito" lançado antes das missões Apollo; "No mundo da Estelândia" obra prima sobre estórias e mitos das constelações; "Lenda feita de pedra" um estudo sobre as civilizações antigas e o uso da astronomia; "Na era da astronáutica" uma viagem fantástica pela astronomia através dos tempos; "O homem descobre o mundo" o desenvolvimento que a astronomia trouxe para o mundo e "Cometa Halley". Pintor e exímio observador e desenhista de cometas, foi pioneiro ao criar, em 26 de fevereiro de 1947 a Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia, a primeira do Brasil, ao qual é Presidente de Honra. Em 1948 fundou os Observatórios "Popular brasileiro Camile Flammarion", e a primeira Sociedade Brasileira de Selenografia (no mundo) . Mestre Azevedo desenhou o primeiro mapa lunar brasileiro. Durante um eclipse lunar, descobriu um pequeno vale na Lua (a Oeste da cratera Grimaldi), cuja observação foi confirmada por Astrônomos chilenos; e também observou vários eventos de TLPs. Participou como membro ativo do Lunar Internacional Observer Network (LION), criado pela NASA. É pioneiro pela implantação do planetário no Ceará.

Professor Rubens de Azevedo

Esta foi a última foto do nosso Grande Mestre em vida.

Nasceu a 30 de outubro de 1921, em Fortaleza, CE, e nos deixou em 17 de janeiro de 2008 na mesma cidade em que nasceu. Rubens de Azevedo foi casado com a jornalista e escritora Jandira Carvalho e juntos, escrevem e editam livros.
Filho de Otacílio de Azevedo (pintor e poeta de renome), e de Teresa Almeida de Azevedo. Ainda menino, recebeu de sua mãe as primeiras noções de desenho e, com o pai, aprendeu a pintar aquarelas. Fez seus estudos primários na Escola XI de Agosto, mantida pelo Centro Estudantil Cearense, e Instituto Waldemar Falcão. Depois, cursou os colégios Agapito dos Santos. Bacharelou-se e licenciou-se pela Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, FAFICE, mantida pelos Irmãos Maristas. A essa época, já publicava artigos sobre Arte, Astronomia, Geografia e História, na Imprensa local, valendo citar O Estado, onde mantinha uma coluna dominical.

Em 23 de julho de 1939, ao lado de José Augusto de Moura, fundou a Sociedade Cearense de Fotografia e Cinema; posteriormente, em 1941 fundou a Sociedade Cearense de Artes Plásticas. Em 26 de fevereiro de 1947 fundou a primeira sociedade de estudos de Astronomia do Brasil, a Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia, da qual é hoje Presidente Honorário. Uma das proezas que mais se orgulha é a de ter fundado, em 1949, uma sociedade de astronomia (por correspondência) na Ilha de Elba (ilha do Mediterrâneo, onde Napoleão foi prisioneiro em 1814), por solicitação do astrônomo-amador Fabio Augiolo Mibelli: mandou instruções, regulamentos, croquis de observatório e telescópio, além de orientação sobre métodos de trabalho.

Em 1953, transferiu residência para São Paulo, onde desempenhou cargos relativos às suas habilidades pedagógicas e artísticas. Filiado à Associação Paulista de Belas Artes, organizou na Galeria Prestes Maia o Primeiro Salão Cearense de Artes Plásticas em S. Paulo, do qual fizeram parte todos os artistas cearenses representativos da época. Ao mesmo tempo, ingressou no Observatório do Capricórnio (Campinas / SP), ao lado de Jean Nicolini, R. Argentiére e Orlando Zambardino, onde, durante 14 anos realizou trabalhos de Astronomia que eram remetidos a várias organizações nacionais e internacionais. Fundou, com seus companheiros, na Capital paulista a Sociedade Brasileira de Selenografia e a Sociedade Interplanetária Brasileira, liderada por Thomás P. Bún. Rubens de Azevedo também agregou-se ao Planetário Municipal do Ibirapuera e à Escola Municipal de Astrofísica, onde deu cursos de Selenografia.

Em São Paulo publicou os seus primeiros livros de repercussão nacional, os quais atingiram muitas edições. Seu estilo foi elogiado por equipe do Ministério da Educação e Cultura, que patrocinou vários dos seus livros. Escrevendo sobre estes, disse Luís da Câmara Cascudo: ''Olhar veterano nos livros e nas lunetas indagadoras, Rubens de Azevedo pode deter o sol de suas tarefas de ensino para cumprir mais esta, nobre e linda, transmitindo a humanização astral, lembrança erudita da Idade de Ouro, quando as estrelas viviam na terra, entre os homens, amando e sofrendo com eles.''

Rubens de Azevedo foi desenhista das Editoras LEP e Melhoramentos de S. Paulo, para esta, elaborou a parte astronômica do Atlas Melhoramentos, de Geraldo Pauwels, do Pequeno Atlas Melhoramentos e do Pequeno Dicionário Brasileiro Melhoramentos. Foi Orientador de Geografia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC, de S. Paulo, viajando a todas as Escolas do interior do Estado, chegando a dirigir, por alguns meses, a Escola Senac de Ribeirão Preto. Deu cursos e realizou palestras sobre astronomia nas cidades de Santos, S. José do Rio Preto, Campinas, Sorocaba (onde foi professor Assistente de Astronomia e Astrofísica na Faculdade de Filosofia), Bauru, S. José dos Campos; e também em Cambuquira e Poços de Caldas, Mimas Gerais . Deu um curso de Astronomia Instrumental na Faculdade para a Formação de Professores de Petrolina sob o patrocínio do Governo de Pernambuco.

Publicou, durante muitos anos, a página de divulgação científica do Diário de. S. Paulo, órgão dos Associados, matéria que era reproduzida em todas as capitais brasileiras através da Rede. Manteve, também, uma coluna sobre Astronomia e Ciências afins do diário O Tempo, de S. Paulo.

Como artista, sempre foi figurativista, embora tenha tido uma inexplicável fase abstrata, de que resultaram 15 telas que foram expostas na Four Planets Gallery, de Nova Iorque. Além disso, o Mestre dedicou-se a arte de desenhar cometas enquanto os observava de forma científica. Em 1948 desenhou a primeira Carta Lunar feita por um brasileiro. Participou de inúmeros eventos culturais ligados às artes e às ciências.

Sobre Rubens de Azevedo, disse Blanchard Girão: ''O tempo, que administra com sapiência, sobra-lhe para tudo: lírico, lembra em certos momentos a alma poética de Otacílio, seu pai; crítico aproxima-se do irmão Sânzio, organizado, tem a paciência e a perseverança do irmão Nirez. O sonhador e o homem objetivo, capaz no seu projeto de realização pessoal, brilhante e modesto não armazena cultura pelo simples prazer de sentir-se erudito, mas para vê-la útil à Humanidade.''

Em 1964, representou o Brasil (junto aos astrônomos Jean Nicolinie e Thomás P. Bún), na IV Convenção LatinoAmericana de Astronomia, em Buenos Aires, Argentina, onde apresentou o trabalho O Desenho Aplicado à Selenografia e à Planetologia Organizou a V Convenção Latino-Americana de Astronomia realizada em Natal, RN.

A Liga Latino-Americana de Astronomia possui diretoria rotativa: terminado o certame, a Nova Diretoria foi transferida para o Brasil, sediando-se em S. Paulo. Rubens de Azevedo foi eleito Secretário de Publicações. De volta, Rubens transferiu residência para Natal, RN, onde foi professor de Astronomia na Fundação José Augusto, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e organizou, juntamente com o Dr. Antônio Soares Filho, Presidente da Associação Norte-RioGrandense de Astronomia o IV Congresso da Liga Latino Americana de Astronomia, o qual realizou-se em 1967, permanecendo a Diretoria da Liga no Brasil, desta vez na capital potiguar, sendo Rubens de Azevedo reeleito Secretário de Publicações.

Transferindo residência para Natal, RN, Rubens de Azevedo passou a trabalhar na Fundação José Augusto, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, dando aulas de Astronomia Geográfica, trabalhando também como Orientador Pedagógico de Goegrafia no Senac/RN. Ao mesmo tempo, como membro fundador da Associação NorteRio-Grandense de Astronomia, organizou ao lado do Presidente Antônio Soares Filho o V Congresso Latino-Americano de Astronomia, o qual realizou-se em 1970, permanecendo a Diretoria da Liga Latino-Americana de Astronomia no Brasil, desta vez em Natal.

Mudando-se de Natal para João Pessoa, Rubens passou a trabalhar na Fundação Padre Ibiapina, onde instalou o Observatório Astronômico da Paraíba. Ao lado do Presidente da Fundação, Prof. Afonso Pereira da Silva, organizou o I Encontro Nacional de Astronomia (1978), ao qual compareceram astrônomos de todo o País. Ao mesmo tempo, fundou a Associação Paraibana de Astronomia. O Observatório colaborou com as Missões do Projeto Apollo (Nasa), a convite do Observatório Nacional/CNPQ.

Rubens de Azevedo voltou à cidade Natal por volta de 1973, trabalhando na Empresa Cearense de Turismo EMCETUR, onde fundou, com Francisco José Ferreira Gomes, a Garden Galeria de Arte da Emcetur, que projetou diversos novos artistas. Uma exposição de aquarelas suas tendo como tema Fortaleza Antiga inaugurou o Teatro de Bolso da Empresa. Realizou outras exposições (Ideal Club, Nuclearte, Teleceará, etc.), participou como jurado do Salão dos Novos, do Salão de Abril e do Salão da Unifor por várias vezes e foi Diretor da Casa de Cultura Raimundo Cela, onde revelou novos valores, promovendo exposições individuais e coletivas de artistas da terra. Voltando à terra natal, recebeu o título de Presidente de Honra da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia, que fundara em 1947.

Rubens de Azevedo foi Professor de Geografia Astronômica da Universidade Estadual do Ceará e Coordenador do Observatório Astronômico Oto de Alencar da mesma entidade. Pertence ao Instituto do Ceará desde 1981. Foi Tesoureiro e o segundo Secretário e pertence à Comissão de Geografia.

Entre os títulos que sempre guardou com carinho destacam-se: Medalha Comemorativa da Comissão Pró-Monumento a Gustavo Barroso; Diploma de Sócio Honorário do Centro de Estudos de Astronomia de Cambuquira, MG; Diploma de Honra ao Mérito por serviços prestados à Cultura Paraibana Conselho Estadual de Cultura 1962; Medalha de Mérito Alberto Maranhão, do Governo do Rio Grande do Norte 1960; Diploma de Sócio Honorário da União Brasileira de Astronomia, Recife, PE; Personalidade de Honra do Observatório Flammarion, de Matias Barbosa, MG; Diploma de Sócio Fundador do Observatório Antares, da Universidade de Feira de Santana, BA; Comenda da Ordem da Solidariedade/ME C, de S. Paulo, SP; Medalha Comemorativa do 1o Centenário do Instituto do Ceará 1987; Diploma de Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Natal, RN; Diploma de Sócio do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica. E também ficou emocionou ao saber-se homenageado como Patrono da Secção Lunar da REA-Brasil três anos antes de sua passagem rumo a estrelas.

Bibliografia de Rubens de Azevedo

Em colaboração:

Fontes: Dicionário Cearense de Literatura, Raimundo Girão e Maria Conceição Sousa; Enciclopédia Larousse Cultural, Ed. Universo, S. Paulo; Dicionário de Astronomia e Astronáutica, Pe. Jorge OGrady de Paiva, Rio; Enciclopédia Mirador Internacional (Encyclopedia Britannica), vol. 13, verbete Lua; Cronologia da Cultura Cearense, F. Silva Nobre, Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro Rio, 1988.

Depoimentos Póstumos dos Amigos

''Realmente uma notícia muito triste saber da partida de um grande amigo qual foi o professor Rubens. Teve o privilégio da sua amizade embora tenha tempo que não nos escrevia-mos. Conservo as suas missivas cheias de sabedoria. Entre suas obras, admiro especialmente o seu belíssimo livro, que honra a minha biblioteca, "No Mundo da Estelândia", uma verdadeira jóia onde o conhecimento de céu se mistura com cultura e a mitologia. Também possuo suas fantásticas obras sobre a Lua, principalmente aquele "Lua degrau para o infinito" escrito antes da chegada do primeiro homem e que hoje tem uma vigência extraordinária com o projeto de utilizar a Lua como degrau para acessar Marte e outros mundos do Sistema Solar. O céu terá agora mais uma estrela a nós contemplar, o grande "Seu Rubens". Dr. Jaime García

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''Hoje, infelizmente o Professor Rubens de Azevedo nos deixa. Mas a chama da divulgação não se apagou, pois várias outras instituições atualmente no Brasil e no mundo realizam trabalhos que começaram com sua filosofia e a do astrônomo francês do século XIX Camile Flammarion, do qual seu Rubens foi um adepto fiel. Nós, astrônomos amadores e profissionais cearenses, prestamos neste momento nossa homenagem a esse pequeno homem em estatura, mas grande na sabedoria, na humildade e nas atitudes. "Sentiremos saudades, Professor Rubens de Azevedo!" - Paulo Régis, Fortaleza-Ceará

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''Acabei de receber a noticia do falecimento do professor Rubens.Estou muito triste pois ele foi o grande incentivador da minha carreira cientifica. A foto que te enviei dele foi a última em vida.Acho que vc poderia recoloca-la na seção lunar como homenagem póstuma.Ele sabia da seção e ficou muito agradecido por nossa lembrança. Pessoalmente estudei Astronomia com ele durante alguns anos e pude visitar inúmeras vezes sua biblioteca.Infelizmente as novas gerações desconhecem o trabalho do professor Rubens,até mesmo seus livros estão esgotados. Nosso grupo em Fortaleza prestou uma pequena homenagem. '' Esta no blog do CASF www.casf.cjb. net - Dennis Weaver de Medeiros Lina - Fortaleza / CE.

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''Aos amigos de Fortaleza: Fico bastante entristecido pela notícia da perda do nosso Prof. Rubens de Azevedo. Foram muitos anos de contato com ele por cartas, até que em 1991, eu o conheci pessoalmente, durante as comemorações de seus 70 anos. Pessoa simples, boníssima, grande sábio, me encheu de presentes (relativos à selenografia) durante a visita que lhe fiz em sua casa, junto com a sua esposa Dona Jandira. Na época eu estava pesquisando à respeito do Val Brasiliensis, o "lendário" vale que o Prof. Rubens observou na Lua, durante o eclipse lunar ocorrido nos anos 60. Posteriormente ele também me presenteou com seu livro "Memórias de um caçador de estrelas", onde pude ter a sensação "participar" de seu grupo de amigos, incluindo Rômulo Argentieri e Jean Nicolini e as emocionantes observações planetárias que faziam na época que eles moravam em São Paulo. Era uma época que eu não ainda existia, sendo por isso, uma grande frustração para mim. Prof. Rubens de Azevedo, o grande mestre da selenografia, nos deixa um legado de imagens, desenhos de planetas e da Lua, e livros fabulosos, da metade do século 20. Seu livro "No Mundo da Estelândia", poético, foi sem dúvida, uma das literaturas que me conduziu a me apaixonar por astronomia. É um dos meus livros de estimação. Deixo aqui, meu coração e meu carinho para um dos gigantes que contagiou uma grande geração de astrônomos, que enalteceram a astronomia nacional, uma inércia de paixões que não para e contagia as novas gerações de astrônomos de toda a América do Sul: Prof. Rubens de Azevedo. Que os mistérios da existência continuam entusiasmando e maravilhando nosso grande mestre, esteja lá onde ele estiver.'' Nelson Falsarella - Mars Observer - São José do Rio Preto / SP

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''Companheiros: Não tive o prazer de conhecer o Dr. Rubens de Azevedo, apenas por algumas das suas obras, mas compartilho com vocês a tristeza e a saudade pela perda que a ciência do Brasil e do mundo sofreu. Mas onde quer que o Prof. Rubens esteja, sei que não sera esquecido por nós e talvez já esteja até trabalhando nos observatorios do céu. A este grande brasileiro, minhe estima e consideração'' - Petrie

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''QUE SEU LEGADO JAMAIS SEJA ESQUECIDO. E QUE AS NOVAS GERAÇÕES SAIBAM QUEM FOI ESTE GRANDE ASTRÔNOMO BRASILEIRO !!! ** RUBENS DE AZEVEDO, descanse em paz meu amigo ... Abs, A. Coêlho. Brasília - DF

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''A ASTRONOMIA BRASILEIRA ESTÁ DE LUTO Mais uma vez Urânia abre os braços para receber mais um de seus diletos filhos. A comunidade astronômica brasileira perdeu no último dia 17 de janeiro,2008,cerca das 18h00,em Fortaleza,Ce, aos 87 anos uma de suas figuras mais expressivas : Rubens de Azevedo, geógrafo, astrônomo, escritor, jornalista, artista plástico e poeta. Nasceu em Fortaleza,Ce,no dia 30 de outubro de 1921,filho do pintor e poeta Otacílio de Azevedo. Ainda na infância e adolescência,um amigo costumava-lhe emprestar a coleção "Tesouros da Juventude" e a partir dele Rubens correu atrás de saber o que havia além das estrelas. Mais tarde,como ele dizia,por uma questão de pobreza,pois sua luneta era pouco potente,passou a observar e estudar a Lua.Foi o primeiro passo para reunir interessados e fundar em 1947,na casa do seu pai,em Fortaleza,a primeira associação criada no Brasil, a 'Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia',SBAA. No teto de sua casa construiu o Observatório Popular Flammarion onde realizou notáveis desenhos do cometa 1948 L . Em 1949 conheceu aquela que seria sua esposa e fiel companheira em todos os momentos,Jandira Carvalho de Azevedo,escritora,jornalista e poetisa. A 'parceria' Rubens e Jandira foi decisiva nas obras de ambos. Residiram em São Paulo ,capital,Natal,RN,João Pessoa,Pb e voltaram a Fortaleza. Não tiveram filhos. Na capital paulista fundou a 'Sociedade Brasileira de Selenografia' e participava do circulo estreito de amadores que freqüentava o Observatório do Capricórnio,fundado por Jean Nicolini (1922-1991) em 1948. Foi uma época extremamente fértil para Rubens. É desta época os livros 'Selene,a Lua ao Alcance de Todos' (1959) e 'Lua,Degrau para o Infinito' (1962).Residindo em Natal,RN,junto a Associação Norte-Riograndense de Astronomia,ANRA,foi juntamente com o Dr. Antonio Soares Filho,a mola mestra para a realização do IV Congresso da Liga Latino Americana de Astronomia. O brilhantismo e os meios colocados à disposição pelo Governador do Estado,W.Gurgel foi de tal envergadura que nunca mais se viu coisa parecida no País. Em 1969 em João Pessoa ,Pb, face a sua notória e reconhecida experiência,por indicação do Dr. Ronaldo R.F.Mourão do Observatório Nacional,CNPq-MCT, foi indicado para fazer parte da equipe inicial de cinco astrônomos que iria colaborar com observações no projeto Apollo da NASA-JPL,denominado 'Lunar International Observers Network',Rêde Internacional de Observadores da Lua. Do programa de observação constavam os chamados TLP's, 'Lunar Transiente Phenomena', Fenômenos Transitórios Lunares. Posteriormente várias instituições viram-se ligadas ao programa dos TLPs,após extensiva orientação. Durante o programa,Rubens realizou uma importante constatação de aumento de brilho incomum na cratera Aristarco. A presença de Rubens em João Pessoa propiciou a construção do Observatório da Fundação Padre Ibiapina,fator decisivo para mais tarde o CEDATE-MEC doar um Planetário Carl Zeiss 'Spacemaster' para esta capital. De volta a terra natal,juntamente com o prof. Demerval Carneiro Neto,amigo e companheiro,incentivou a ciência do céu a tal ponto de sensibilizar dois importantes colégios,Cristhus e Sete de Setembro, a promoverem cursos regulares de astronomia e erigirem excelentes observatórios em suas unidades. Não somente a SBAA como também a UBA, União Brasileira de Astronomia, experimentou um grande progresso sob a atuação de Rubens de Azevedo. Devido a seus artigos,persistência, contatos feitos com o prefeito de Fortaleza, o Governador do Estado e no meio científico e cultural,é inaugurado no dia 26 de fevereiro de 1997 no 'Instituto Cultural Dragão do Mar' na Paia de Iracema,o 'Planetário Rubens de Azevedo' com um projetor Carl Zeiss modelo ZKP-3 no valor de 1,2 milhões de dólares. O nome dado por proposição do prof. Demerval a uma pessoa ainda viva,fato incomum,é um eloqüente atestado do conceito e admiração não só do cearense mas de toda a comunidade astronômica nacional a uma gigante da ciência do céu em nosso País. Em 1962 escreveu 'Na Era da Astronáutica',em 1969 'No Mundo da Estelândia',em 1985 'O Cometa Halley',em 1988 'A Bandeira Nacional',em 1989 'O Homem descobre o Mundo' e em 1996 'Memórias de um Caçador de Estrelas' (autobiografia) Ilustre no meio científico,Rubens fez pela astronomia brasileira muito mais que poucos imaginam. Quando se trata de nosso satélite natural, seu nome está indelevelmente ligado na bibliografia astronômica. Seu nome consta do 'Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica' 2ª edição da Editora Nova Fronteira de Ronaldo R.F.Mourão por sinal,um de seus admiradores. De temperamento alegre e jovial os que conviveram com ele guardam para sempre momentos inesquecíveis. Desde o falecimento da esposa,'O Maior Amor' como intitulou em um dos capítulos de sua autobiografia,sua saúde começou a declinar sensivelmente. Nesta hora que sentimo-nos duramente atingidos por tão grande perda, reconforta-nos saber que ele agora está ao lado de D. Jandira passeando entre os astros do universo que ele tanto amou. Numa homenagem ao ilustre amigo e colega, o roll-off do Observatório Astronômico de Piracicaba,SP, passará doravante a denominar-se "Pavilhão de Observações Rubens de Azevedo". Nelson Travnik - Obs. Piracicaba.

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