
FENÔMENOS TRANSITÓRIOS
LUNARES
(Transient Lunar Phenomenon - TLP)
Gentes de Projeto: Frederico L. Funare e Valmir Martins de Morais
Os " Fenômenos Lunares Transitório''
(do inglês Transient Lunar Phenomena - TLP) são fenômenos
de curta duração que normalmente de manifestam
solitariamente como névoas, brilhos, escurecimentos ou mudanças
de cor no solo lunar.
O catálogo mais completo de TLP que remota ao da Doutora Winifred
S. Cameron, Lunar Transient Phenomena, editado pela National Space Science
Data Center. A última edição lançada em 1978
elege 1463 pontos que já apresentaram eventos de TLP. Os locais
onde mais freqüentemente apresentam estes fenômenos são
as crateras Aristarchus, Plato, Alphonsus e Tycho.
Entre as observações mais fidedignas de TLP foram feitas
pelo astrônomo soviético Kozyrev em 1958, quando, observando
a Lua com um telescópio de 1,3 metros de diâmetro, notou uma
névoa branca nas proximidades da cratera Alphonsus e uma mudança
na cor do cume da mesma cratera. Kozyrev teve sucesso ao registrar no cume
central da cratera Alphonsus através de espectrograma uma intensa
banda de emissão atribuída a emissão de carbono
(comprimento de onda de 4737 Angström - Unidade de medida de
comprimento, equivalente a 10-10 m, utilizada correntemente em óptica
e em técnica de raios-X). Apesar dessa observação
documentada, a maior parte dos fenômenos de anomalias presumidas
reportados, não tiveram comprovações independentes de
outros observadores ou observatórios, e esses eventos ainda são
discutíveis nos meios científicos.
Numerosas são as teorias que tentam explicar as causas dos fenômenos transitórios. Entre as teorias mais sustentadas há, com certeza, a força de maré. Da mesma forma que a Lua influencia as marés de água e terra na Terra, o mesmo efeito, mas com maior vigor, é exercido pela Terra na superfície lunar. Esta força pode causar a ruptura ou colapso de algumas rochas lunares e assim ocasionar o fenômeno de desgaseificação responsável pelo aparecimento do TLP. Os terremotos lunares, os quais foram registrados pelo sismógrafo colocado na Lua pela missão Apollo, parecem correlatos com os efeitos de maré supracitada.
Um outro efeito relevante que acontece na Lua é a interação entre as partículas solares e as rochas lunares, que poderiam resultar em fenômenos de luminescência, como acontece com algumas rochas terrestres quando são submetidas à ação dos raios ultravioletas. Outra teoria diz respeito ao choque térmico que se manifestaria devido a diferença de temperatura das áreas iluminadas (dia) e das áreas escuras (noite), principalmente nas regiões próximas ao terminador lunar. Lembrando que a temperatura varia entre -80 a +125 graus centígrados em poucas horas. Estas mudanças de temperatura poderiam induzir a alterações no solo lunar e produzir fenômenos semelhantes aos TLPs. Também, não se pode excluir a possibilidade desses brilhos serem provenientes de flash emersos do subsolo lunar ou da possibilidade de impacto de fragmentos meteóricos. Esta última eventualidade já foi registrada através de vídeo quando do chuveiro de meteoros Leonídeos em novembro de 1999, em que foram devidamente documentados cinco evidentes flares na região do terminador lunar. Mais recentemente, pesquisadores da NASA capturaram vários possíveis eventos de flahs por impacto lunar.
Contudo, muitos investigadores continuam pensando que os TLPs sejam simples efeitos óticos ou advindos da inexperiência do observador. Este ceticismo é justificado pelo fato que numerosas ocorrências são facilmente referendados as ilusões óticas, aberrações cromáticas induzidas pela turbulência atmosférica, particularmente evidente na Lua situada a baixa altitude do horizonte; e das óticas de alguns telescópios com elevada aberração cromática residual.
Por outro lado, vale a pena recordar dos numerosos eventos de névoa e aparecimentos de brilhos nas áreas das crateras Aristarchus, no Vallis Schröeteri, e de algum fenômeno relevante ao sul da cratera Plato, como o temporário obscuramento de algumas de suas pequenas craterleta interna. Se, por um lado, muitos relatos do passado são sem sombra de dúvida atribuível a observações errôneas, e por outro lado já foram registrados eventos dessa natureza através de imagens. Uma investigação mais apurada dessas ocorrências de TLPs representa um campo de ação observacional muito interessante aos selenógrafos e astrofotográfos.
Várias e diferentes idéias foram propostas como possíveis mecanismos para formação de ocorrências de TLP, todavia, ainda não se tem certeza para dar a qualquer uma das causas um peso maior a uma ou outra. Este é um grande dilema e como muitos cientistas não consideram que os chamados TLP sejam um fenômeno real, isso porque não foi encontrado nenhum mecanismo satisfatório que poderia responder pela grande produção de energia de muitos eventos de TLP. Mas com a conclusão das missões Clementine e da Lunar Prospetor e o exame detalhado das missões Apollo e dados colhidos pela sonda Surveyor foram apresentadas novas idéias que dá nova perspectiva para um possível mecanismo gerador destes fenômenos.
Classificação Básica de TLP
Em geral, os TLPs descritos na literatura são classificados em quatro classes principais:
1- Os fenômenos designados como "TLP cromático", que se estende as variações de cores da superfície nas quais predominam os componentes vermelho ou azul. .
2- "Obscuramento'' que é o termo usado para definir as ocorrências que parecem se referir ao escurecimento ou a perda de contraste e definição de alguma particularidade do solo lunar.
3- Fenômenos de "brilhantismos" / ''flare'', que seriam as manifestações de breves, mas intensas emissões luminosas. Nesse tipo de fenômeno também está incluido a ocorrência de flash (tratados em Projeto próprio - Impactos Lunares) provocado por possíveis impactos de meteoróides na Lua.
4- Quaisquer Variação de brilho em alguma característica superficial, ou mudança na forma e na extensão das sombras em um curto período de tempo, e que depois voltam ao estado anterior.
Programa Observacional
Neste projeto a Secção Lunar destaca as seguintes formações lunares a serem sistematicamente monitoradas ao longo do ano: Alpes (Monte Branco / Mons Blanc), Alphonsus, Aridaeus (ranhura/rima), Aristarchus, Aristilus, Arquimedes, Atlas, Byrgius, Cassini, Catharina, Censorinus, Copernico, Cyrilus e Cyrilus A, Encke, Hyginus (ranhura/rima), Hind, Julius Caesar, Kepler, Krieger , Leibnitz (mons - na borda sul lunar visivel em Libração Sul), Lichtenberg, Lyot, Manilius, Menelaus, Plato, Plinius, Posidonius, Proclus, Pytheas, ,Schröter (vale), Thales Theaetetus, Theophilus, Tycho e Wollaston.
Programa Observacional de TLP - PDF
Tutorial - Como observar e reportar possíveis eventos de TLP - PDF
Mapa da localização das crateras à serem observadas - Veja
Catálogo de possíveis eventos de TLP observados no Brasil - PDF
Artigos Relacionados: Veja
TLP - Sugestões para áreas de observação - ALPO http://www.lpl.arizona.edu/~rhill/alpo/lunarstuff/ltp.html